Resenha #440 - Poker com o Diabo - Ítalo Guimarães

Cedido em parceria com o autor

Título: Poker com o Diabo
Autor(a): Italo Guimarães
Editora: Garcia
Páginas: 106
Nota: 5/5 



Bora jogar uma partida de Poker com o Diabo?
- Meu velho amigo ... - sussurrava ao baralho. (...) - Ainda está bom para jogar? (...) - Sim, ainda está.
O livro que trago hoje para vocês, foi escrito pelo autor Ítalo Guimarães.

Eu já havia lido outro livro do autor em parceria com a Aberst que foi o Crônicas Capitais (Resenha), e fiz a leitura desse livro paralela a parceira.

Ambientado em nada mais nada menos do que no Inferno, temos como o personagem principal desse livro um ser conhecido por diversos nomes, o meu favorito é o primeiro que lhe foi dado : Lúcifer.

Ele convida algumas pessoas que já estão no inferno, para uma partida de poker, se ele ganhar, a alma daquela pessoa será eternamente dele, caso a pessoa ganhe, ela será libertada do inferno. 

O motivo? Resumidamente o capeta sendo o capeta. Ele está simplesmente entediado e resolve brincar um pouquinho para se distrair, e nada melhor do que fazer uma tortura psicológica.

Pessoas diferentes, com pecados diferentes, mas com algo que as torna iguais. Nenhuma delas acredita que fez algo de ruim em vida, a ponto de não ter direito a ir para o céu.

Mas o que mais intriga nessa estória, é que junto com os participantes tem também uma criança. O que essa criança fez para merecer o Inferno? Somente lendo o livro para vocês entenderem.

O Diabo vai chamando uma por vez, e as cartas do poker vão revelando as atitudes de cada individuo, fazendo com que a própria pessoa reflita sobre aonde merece ficar.
Temos um suicida, um agiota, uma parteira, um pastor, um policial e uma golpista.
Neste livro você vai perceber que o diabo não é o grande vilão da estória, ele só conduz com a ajuda das cartas, para que cada individuo determine se merece o Céu ou o Inferno, analisando seus atos em vida, e o que fez para merecer estar ali. Ele somente ajuda a guiar para o caminho que o próprio individuo traçou.

Mas vocês acham que é assim tão fácil? Não, não é! O orgulho impera soberano nas pessoas, pois é difícil para elas se aceitarem como são, meras pecadoras, porque acreditam que tudo que fizeram, foram por motivos necessários para sua sobrevivência, sem pensar nas outras vidas estavam em jogo. 
Isso não é verdade - apontou para o Diabo. O senhor está brincando conosco ... - sua respiração era curta e ofegante. - MENTIROSO! DISSIMULADO!
Será que algum deles conseguiu vencer o Diabo? 

Esse livro tem um estória bem curtinha, então não quero me aprofundar muito nos acontecimentos para não dar spoilers para vocês, mas posso garantir que ele é repleto de reflexões a serem feitas no nosso cotidiano, e acredito que a primeira é : Você jamais pode se achar bom o suficiente para achar que está livre das garras do inferno, pois todos nós somos pecadores em atos ou pensamentos, e somente na hora de nosso juízo final poderemos avaliar o nosso destino. E o Ítalo conseguiu transferir isso de uma forma fluida e de fácil entendimento neste livro.

A diagramação desse livro está impecável, fora sua capa que é super chamativa, temos cartas do baralho ilustradas no decorrer da leitura, que são as cartas tiradas pelo demo, no inicio do livro o autor dá uma breve aula sobre as jogadas mais importantes do poker, que nos ajudam a entender um pouco sobre o jogo, as páginas são amareladas, as letras são grandes e não me deparei com nenhum erro de revisão.



E você? Será que conseguiria vencer essa partida?
- Bem, vamos prosseguir com o jogo, falta apenas uma carta e seu destino será traçado. Liberdade ou pesadelo?
Até a próxima resenha.

Resenha #439 - Sonhos de Avalon: A Última Profecia - Bianca Briones


Título: Sonhos de Avalon: A Última Profecia
Autor(a): Bianca Briones
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 422
Nota: 3/5 


Olá, tudo bem com vocês?

A resenha de hoje é o ultimo livro lançado pela autora Bianca Briones.

Eu estava muito ansiosa para iniciar a leitura Sonhos de Avalon : A Última Profecia, visto que era uma fantasia diferente do que estou habituada a ler, como também porque nunca tinha lido nada da autora e queria muito conhecer a escrita dela.

Fui com altas expectativas na leitura, mas infelizmente me decepcionei bastante com esse livro.

O livro narra dois tempos. Nos dias atuais Melissa está passando por uma fase extremamente difícil em sua vida. Recentemente ela perdeu o irmão em um acidente de carro e seu pai está em coma no hospital. Não está sendo fácil superar o luto, e os médicos não deram esperança que seu pai irá acordar.

Melissa também tem sonhos constantes com a Idade Média, mais precisamente com Morgana e o Rei Arthur, personagens que acredito que todos vocês já ouviram falar, já que existem diversas estórias sobre os personagens de Avalon, os cavaleiros da Távola Redonda, Merlin e por ai vai.

Mas Melissa não apenas sonha com esses personagens, ela tem uma conexão muito forte com Morgana.

No passado, temos mais desenvolvida a estória dos personagens da Idade Média, uma grande batalha está prevista, e seu motivo principal, é nada mais nada menos do que a religião. 
- Religião não deveria se misturar com politica. - O rei balançou a cabeça.
- Não seja ingenuo, Arthur. Religião é poder. É o instrumento que eles usam para controlar você. Ao ceder, eles ganham poder.
E nisso Melissa e Morgana, trocam de lugar.

Melissa aparece no reinado e é amparada por Lancelot. Melissa não se lembra, mas não é a primeira vez que ela visita o reinado, em fato, ela é extremamente importante naquele reino, pois Merlin acredita que ela é a prometida para quebrar a profecia e para isso ela precisa casar com Rei Arthur, mas há um porém. Melissa não se lembra, mas ela e Lancelot estão perdidamente apaixonados, mas Melissa não pode se lembrar, e caso seja manipulada a se lembrar de sua estadia, todo o destino de Avalon estará comprometido. 

Pelo menos é o que Merlin diz ...
- Agora vá. Vá procurar Melissa antes que ela se lembre exatamente do que deve esquecer. Quanto antes Melissa se apaixonar por você, mais rápido será o retorno de Morgana e a resolução de todos os nossos problemas.
Eu já sabia pela sinopse que Melissa estava prometida para Arthur, e achei muito interessante o triangulo amoroso que acabou sendo formado. Mas o livro se resumiu a isso, e por esse motivo eu não curti muito a leitura.

Eu li um livro sobre guerreiros destemidos, magos poderosos, em um universo à beira do caos, com uma grande guerra à vista, que foi praticamente inteiro voltado a Melissa prometida a Arthur sem lembrar que ama Lancelot, Arthur sendo um macho alpha eminente querendo obrigar Melissa a se casar com ele, e um Lancelot que sofre ao ver sua amada com seu melhor amigo sem poder fazer nada.
Você ama Melissa e ama Arthur. Não poderá ter os dois, menino não poderá.
Para vocês terem uma ideia a primeira batalha ocorreu na metade do livro, e isso me deixou muito entediada, e eu tentei ao máximo gostar desse livro, mas infelizmente não rolou.

Eu não gostei da  Melissa, ela não deixa de ser um personagem empoderado e moderno que não abaixa a cabeça para os homens machistas e antiquados da Era Medieval, mas não a achei nem um pouco cativante. Eu detestei o Arthur, achei ele um rei extremamente superficial e machista. Lancelot é um personagem doce e gentil e mais destemido, mas ainda achei que o triângulo amoroso desse livro, deixou a estória muito fraca. 

Eu gosto de estórias de fantasia que envolvam romances clichês, mas não curto quando o romance impera no livro e os demais pontos importantes do livro são deixados em segundo plano e foi isso que ocorreu. E teve momentos que os diálogos eram tão repetitivos que os pulei, porque simplesmente não tinha paciência para o lenga lenga do romance.

Não posso também negar que ocorreram bons momentos, por mais que o Merlin desse livro seja totalmente diferente das lendas, sendo aqui o grande vilão da estória, achei que um dos melhores personagens, a ida de Morgana para o presente também foi legal. ela é amparada pelos melhores amigos de Melissa, está fraca e totalmente perdida, mas ela não se deixa abalar e tenta ao máximo voltar para o seu mundo para ajudar ao seu povo, e acredito que se a parte do Morgana tivesse sido mais bem trabalhada, eu teria gostado mais desse livro. Afinal de contas, ela e Melissa tem uma forte ligação que foi pouquíssimo explorada no livro. 

Em relação à diagramação, o livro está lindo. Na capa temos as personagens de Melissa e Morgana retratadas, todos os capítulos se iniciam com páginas pretas e letras brancas, ás paginas são amarelas e eu achei as páginas grandes com pequenas, mas não são desconfortáveis para a leitura, não me recordo de ter visto nenhum erro na revisão.



Ocorreram revelações no final que também foram interessantes, mas sinceramente tenho receio de dar continuidade na leitura e ser uma nova decepção, mas quem sabe eu não dê uma chance e me surpreenda!

Lembrando que essa é uma opinião completamente pessoal, e eu já disse mais de uma vez aqui que não gosto de romances, então se você curte, pode ser que você ame esse livro e me ache uma maluca!

Espero que gostem e até a próxima.


Resenha #438 - A Sutil Arte de ligar o F*da-se - Mark Manson


Título: A Sutil Arte de Ligar o F*da-se
Autor(a): Mark Manson
Editora: Intrínseca
Páginas: 223
Nota: 4/5 

O crush visualizou a mensagem e não respondeu? F*DA-SE!

Aquela promoção que você tinha certeza que ia receber, ficou para o primo do cunhado do vizinho do teu chefe? F*DA-SE!

O arroz queimou? F*DA-SE!

Você tirou uma nota bem menor do que imaginava naquela prova que parecia fácil? F*DA-SE!

Não ache que ao ligar o f*da-se para isso, faz com que você torne uma pessoa fria e calculista. Você apenas está se tornando alguém mais maduro e centrado.
Ligar o foda-se não significa ser invulnerável, mas se sentir confortável com a vulnerabilidade.
Eu sempre tive na ponta da língua o meu melhor conselho de todos, para dar aos amigos em qualquer situação ou adversidade: Ah migo(a) liga o f*da-se e pronto! Mas é claro que como a grande maioria das pessoas sou ótima em dar conselhos, mas não em segui-los (pra que se podemos sofrer né minha gente?). 

E por esse motivo resolvi ler por minha vontade própria pela primeira vez na vida um livro de auto-ajuda, afinal senti uma compatibilidade de opiniões com o autor pelo título de seu livro.
O que determina o sucesso não é "De que prazer você quer desfrutar". A questão relevante é: "Qual dor você está disposto a suportar?" O caminho da felicidade é cheio de obstáculos e humilhações.
A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, escrito pelo autor Mark Manson, traz situações corriqueiras do dia-a-dia, oras vividas pelo autor e como ele reagiu a cada uma delas, como também com pessoas famosas, como por exemplo Dave Mustaine - que foi enxotado do Metallica sem motivos contundentes há alguns dias antes da banda assinar seu primeiro contrato, como também Pete Best que foi integrante do The Beatles antes da banda explodir pra valer nas rádios da Inglaterra, escorraçado por ser perfeitinho demais, e como cada um deles superaram a "puxada de tapete" que receberam.

Isso foi um dos pontos positivos que encontrei no livro, pois considero livros de auto ajuda maçantes, e isso não aconteceu, pois ele é bastante dinâmico e ficamos curiosos para saber mais sobre aquelas pessoas que o autor introduziu.

O Mark tem uma forma divertida, oras voltado para um humor mais negro, outras de um jeito revoltado, que nos ajuda a refletir sobre o que vale mais a pena na vida, e sobre o que devemos muitas vezes deixar de lado, simplesmente por não valer a pena o esforço e que o mais importante: NINGUÉM É PERFEITO E NÃO HÁ NADA DE ERRADO NISSO!
Essa ladainha de que "todo mundo pode ser extraordinário e alcançar a grandeza" é só uma punhetagem do ego. Uma mensagem gostosa de engolir, mas que na verdade não passa de calorias vazias que deixam você emocionalmente gordo e inchado, como um Big Mac para o coração e o cérebro.
Em relação à diagramação, a capa é muito simples, mas chama muito a atenção devido ao título, e devido a cor laranja linda berrante que ele possui. Por dentro a diagramação é bem simples também, as páginas são amareladas, as letras são normais, os capítulos são curtos e não me recordo de ter visto erros na revisão.

A realidade é algo simples: se parece que você é contra o mundo, é provável que seja só você contra si mesmo.
Espero que gostem e até a próxima resenha.

Lançamentos de Maio: Faro Editorial


Olá pessoas, tudo bem???

Hoje eu venho com os lançamentos de Maio da editora parceira Faro Editorial. Vamos saber um pouco mais sobre os livros?

Breves lições da história para entender o mundo hoje. Trata-se de uma jornada pela história, explorando as possibilidades e limitações da humanidade ao longo do tempo. Escrito para leitores curiosos por história os autores apresentam, numa versão concisa, uma gama de conhecimentos relacionados a 12 temas: geografia, biologia, raça, caráter, moral, religião, economia, socialismo, governo, guerra, crescimento & decadência e progresso. O resultado é um levantamento da História, cheio de percepções incríveis sobre a natureza da experiência humana, a evolução da civilização e a cultura do homem. Uma obra-prima para todos que querem entender a essência do comportamento humano, de onde viemos e para onde vamos.
O QUE ACONTECE DE NOVO AGORA NÃO É A DESONESTIDADE DOS POLÍTICOS, MAS A RESPOSTA DO PÚBLICO EM RELAÇÃO A ISSO.
Bem-vindos à era da pós-verdade: uma época em que a arte da mentira está abalando as próprias fundações da democracia e do mundo como o conhecemos.
Neste livro surpreendente e revelador, a pós-verdade é diferenciada de uma longa tradição de mentiras políticas, mostrando o poder das novas tecnologias e das mídias sociais de manipularem, polarizarem e enraizarem opiniões.
Como podemos defender a verdade em uma época de mentiras, os chamados fatos alternativos?
Nesta obra, um dos mais respeitados jornalistas políticos britânicos investiga como chegamos até aqui, explica por que a resignação não é uma opção e revela como podemos e devemos nos defender e contra-atacar.
 Primeira obra que torna as principais de Hayek acessíveis a não economistas. Laureado com o Prêmio Nobel de Economia, F. A. Hayek revolucionou a compreensão dos mercados e, em seguida, desafiou profundamente a compreensão pública do governo. Ele é um dos poucos cientistas sociais dos últimos 200 anos que repensou completamente a relação entre indivíduos, mercado e estado. Este volume destaca suas principais propostas, explicando em linguagem não acadêmica sua visão e críticas sobre a natureza da sociedade e dos mercados. “A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro, como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa.” F. A. Hayek Nenhuma figura teve influência tão grande sobre os intelectuais por trás da Cortina de Ferro quanto Friedrich Hayek. Seus livros, traduzidos e publicados por iniciativas independentes, embasaram a oposição ao regime e contribuíram para o colapso da União Soviética.
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Primeiras Impressões: Paraísos Selvagens - Camila Dornas


Olá pessoas, tudo bem?

Hoje eu venho falar de um lançamento que ocorrerá amanhã na Amazon. Um livro nacional que parecer ter uma história incrível. Li os 3 primeiros capítulos e fiquei bem curiosa para continuar. Adoro um romance com uma pitada de mistério e esse parece ser um deles rs. Mais um nacional chegando por ai, fresquinho, saído do forno, para vocês.

Camila Dornas, é uma autora nacional, que já publicou outros livros. Já lançou A Linhagem e Subconsciente, ambos já resenhados aqui no blog. Se quiserem conferir as resenhas é só clicarem nos nomes dos livros, que serão direcionados. 

Os anos 70 para Olivia vão muito além de sexo, drogas e rock n' roll. Filha de um jornalista rebelde em plena ditadura militar, Olivia é uma jovem revolucionária. Como se os soldados nos corredores das universidades e livros proibidos escondidos na estante não fossem o suficiente, seu ex violento volta para a cidade em busca de vingança, fazendo com que fantasmas do passado voltem a assombrá-la. Em meio ao caos que o país está vivendo, e seu próprio caos particular, Olivia vê em um homem misterioso que vive intensamente um porto seguro. Em um período tão conturbado, o que poderia salvá-la se não o amor?

A minha primeira impressão sobre o livro, foi que Camila escreveu a história nos anos 70. Uns anos que apesar de turbulentos, foram também anos de muitas alegrias, danças e músicas. Quando peguei o livro, foi a primeira coisa que senti. Espero gostar, porque é uma época que sempre tive vontade de viver.

Olivia me pareceu uma jovem espirituosa e dona de si. Tem sua própria opinião e quer que as coisa do mundo se tornem melhores. Ela tem seu melhor amigo Daniel, que sempre está do seu lado para o que der e vier. E parece aquele tipo de amizade, que você quanto mais lê, mais quer saber o que os dois podem aprontar juntos.

Olivia, tem uma mãe extremamente religiosa e que a proíbe de ter coisas que são considerados pecados, até que um dia ela descobre que sua filha tem estas coisas e as duas tem uma briga muito forte, então Olivia sai de casa sem olhar para trás e vai buscar abrigo com seu melhor amigo.

Neste mesmo dia, ela conhece um rapaz, que pensa que ela vai fazer algo contra a sua própria vida e vai lá e a salva. Pelo menos ele acha. Como Olivia é muito independente, não se deixa levar pelos olhos acinzentados que reluzem pontinhas douradas e profundas. 

Eles meios que discutem. Os dois parecem teimosos, e do encontro, sai uma faísca que ambos fingem que não sentiram.

Estes primeiros capítulos, me deixaram bem curiosa. De cara já gostei do jeito de Olivia. Ela é corajosa e parece destemida. Não abaixa a cabeça para ninguém e nem se deixa levar muito facilmente. Isso me chamou atenção e por causa desta afinidade que senti desdes as primeiras páginas, que quero continuar a leitura e em breve eu trago a resenha para vocês.


Espero que tenham curtido as primeiras impressões e não deixem de adquirir o livro na Amazon a partir do dia 15/05/2018. Vamos prestigiar a nossa literatura que está cada vez mais crescente, só esperando uma oportunidade de encontro. 


Um xero no coração de todos e uma ótima semana!

Resenha #437 - A Casa dos Pesadelos - Marcos Debrito

Livro cedido em parceria com a editora

Título: A Casa dos Pesadelos
Autor(a): Marcos Debrito
Editora: Faro Editorial
Páginas: 144
Nota: 4/5 


Prontos para enfrentar seus maiores pesadelos?

Muitos de nós temos medos guardados, que nasceram quando éramos crianças, seja com monstros debaixo da cama, a falta de energia na calada da noite, barulhos estranhos, sombras, vizinhos macabros, tempestades e por ai vai.

Alguns esquecemos com o passar do tempo, outros ficam marcados em nós para sempre, eu por exemplo, odeio escadarias de prédios, porque tinha pânico de descer as escadas do prédio onde morava, só que o meu apartamento era no primeiro andar, então era mais fácil descer dois lances de escadas do que aguardar o elevador que sempre ficava preso por algum vizinho. O problema era que a escadaria - na mente da criança que vus fala, era escura, sinistra e medonha. E eu sempre a descia correndo desesperada com a nítida sensação que estava sendo perseguida.

Hoje em dia eu desço e subo escadas de prédios se for necessário, mas a lembrança do meu medo da infância, sempre vem na mente, e frequentemente tenho pesadelos com a escadarias de prédio, com a mesma sensação de ser observada.

Os medos de Tiago em A Casa dos Pesadelos, também deixaram marcas, só que em seu caso, bem mais profundas. Quando pequeno ele foi passar uns dias na casa de sua avó, e algo ali o assustou a ponto de o deixar desesperado e fazer com ele e sua mãe saíssem as pressas de lá.
Os olhos da criança contemplaram com mais detalhes os aspectos tenebrosos do monstro à meia-luz.(...) Na cabeça enorme, de pele verdosa e enrugada, o rosto tinha a aparência de um cadáver inchado em putrefação, com as órbitas carcomidas pelos vermos que deixaram nada além do vazio das cavidades oculares, fundas e negras.
Dez anos se passaram, e o trauma ainda mexe com Tiago, ele se tornou um adolescente introspectivo, frio e apático, faz terapia para se libertar do medo da fatídica noite assombrada que fez seu coração bater acelerado e para tentar voltar a ser o feliz Tiago de outrora.
Gostaria de afastar as divagações sobre um passado confuso cuja lembrança o torturava, mas via-se indo em direção ao epicentro da tormenta.
E agora mesmo não estando preparado para reviver seus pesadelos, ele será obrigado a voltar para o lugar que ele tanto teme, afinal de contas, tudo passa da sua imaginação fértil e ele precisa superar seus traumas.

Não é?

Tiago volta à casa de sua avó, com sua mãe e seu irmão mais novo, o Bruno um garotinho curioso que tem aproximadamente a mesma idade que Tiago tinha quando foi naquela casa pela primeira vez. Bruno é uma criança frágil, frequentemente tem crises de asma e precisa sempre estar com sua bombinha por perto. Não tarda as lembranças virem à tona para todos e Tiago ser o centro das atenções da pequena família, deixando Bruno assustado com os acontecimentos que o irmão passou.

Tiago começa a sentir sensações estranhas dentro da casa, e agora seu irmãozinho também, mas nem sua mãe e nem sua avó acreditam que possa existir um monstro.

Mas ele existe.
O luar era o único responsável por revelar debilmente os contornos abrigados no breu, tornando indecifrável a bizarra quimera escondida nas sombras.
Há mais um mistério dentro da casa, é proibida a entrada no quarto do avô falecido de Tiago, algo que ele tentou fazer quando criança, gerando um bronca feia da avó, que acredita que esse é o real motivo de Tiago ter inventado a história do monstro, e esse quarto permanece intocado e proibido até hoje.

Tiago se vê responsável por desvendar os mistérios que moram nas paredes da casa de sua avó, a fim de se libertar do medo com o qual convive e que agora pode fazer morada em seu irmão também, mas mal ele sabe que monstros muitas vezes podem ser mais reais do que imaginamos.

A Casa dos Pesadelos, é um livro que pode ser lido tranquilamente em horas, não só por ser uma estória curta, mas também porque o Marcos tem uma escrita que te prende do inicio ao fim, eu achei incrível como ao mesmo tempo que este livro narra uma história basicamente simples, o autor conseguiu escrever de uma forma tão elegante e eloquente, e isso para mim trouxe um grande charme ao livro.

Você não vai querer mergulhar a fundo nos medos do Tiago, você vai simplesmente necessitar desse mergulho. E é impossível não ler este livro, sem sentir empatia pelo personagem, afinal de contas, todos nós guardamos variados medos escondidos dentro dos nossos corações.

Em relação à diagramação, mais uma vez o trabalho da editora foi extremamente caprichado. O livro mescla situações no presente e no passado, e os capítulos que narram o passado de Tiago são em folhas laranjas. As letras são médias e confortáveis para a leitura, e não me deparei com nenhum minimo erro de revisão. Há ilustrações também maravilhosas e assustadoras no decorrer da leitura, que nos ajudam a sermos transportados para dentro da história.


O final do livro foi bastante surpreendente para mim, e estava tão bom, mas tão bom que mesmo chegando em uma conclusão plausível eu me frustei pelo livro ter acabado, porque eu queria MUITO continuar lendo, ou seja, leitura mais que do que recomendada. O Marcos além de ser um escritor extremamente talentoso, é super gente boa (mesmo fazendo pose de mau nas fotos hahahahahaha) e merece todo o sucesso.
- Tem um monstro que mora aqui nesta casa. E eu acho que sei onde ele tá.
Espero que gostem e até a próxima.

Resenha #436 - O Ceifador - Neal Shusterman


Título: O Ceifador #1
Autor(a): Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Páginas: 448
Nota: 5/5- Favorito!
Tudo começa no primeiro dia de aprendizagem - mas não chamamos oficialmente de "matar". Não é política nem moralmente correto chamar assim. Esse ato é e sempre foi chamado de "coletar", em referência à atividade de apanhar as sobras que ficaram no campo depois da colheita. (Do diário de coleta da ceifadora Curie).
Olá pessoas, tudo bem?

Preciso confessar o quanto eu me arrependi de demorar a pegar este livro pra ler. Porque estou completamente sem ar, com tudo que li. Este livro foi tudo de maravilhoso da vida!!! Não é atoa que o Neal é meu queridinho de todos os tempos, ainda não li nada dele que ficasse menos do que favorito, o cara escreve bem pra caramba e o que nos resta é curtir cada segundo da leitura.

Neal tem outros livros lançados e por editoras diferentes, como Fragmentados, Desintegrados, O Fundo é Apenas o Começo, entre outros. 

Diante de todas as tecnologias que foram avançadas a humanidade conseguiu vencer todas as barreiras possíveis e imaginárias, até a morte. Isso mesmo.

Mas com tudo isso, veio a superlotação. O crescimento populacional estava muito grande e muito além do limite em que a terra pode comportar. Com isso surgiu a Ceifa, e somente os ceifadores, podem pôr fim em uma vida. Somente eles, podem escolher como coletar as pessoas para manter o equilíbrio. 

Os ceifadores são muito respeitados, mas na verdade as pessoas, tem medo de serem coletadas, então fazem de tudo para agradá-los, mas nem sempre dá certo, pois quando chega o dia de sua coleta, não adianta fugir, se não coisas mais drásticas pode acontecer com quem resiste.
Não era de admirar que as pessoas fizessem de tudo para agradar os ceifadores. A esperança diante do medo é a motivação mais forte do mundo.
Rowan e Citra são adolescentes, que não se conhecem e completamente diferentes. Enquanto Citra é amada pela família. Rowan  se sente excluído e ninguém nota a sua presença. Ambos são escolhidos para serem aprendizes de Ceifador. Mas tem um pequeno detalhe, nenhum dos dois querem este fardo de ter que "matar" pessoas. 

Para receberem o consagrado anel e o manto da Ceifa, eles precisarão dominar a arte de coleta. Não será nada fácil, para duas pessoas que não querem ter este tipo de vida. Pois para ser um Ceifador, tem suas regras e precisam seguir os mandamentos da Ceifa e o principal, tem que matar.

Mas o que o destino preparou para este dois adolescentes? Pois com todo o aprendizado que vão ter, precisam tomar muito cuidado com os preceitos estabelecidos e levar o aprendizado a sério, pois não podem falhar em sua missão e não podem transformar a cumplicidade em algo mais, caso contrário, podem colocar suas vidas em risco.

Demorei demais para ler o livro, porque é do meu autor preferido e eu queria um momento certo para pegá-lo, mas quando  peguei pra ler, fiquei impressionada com a rapidez com que eu o li. Eu amo esta temática. Distopia é vida e como não ficar mais apaixonada ainda pela escrita dele?

Citra, é uma menina doce, mas ao mesmo tempo ácida. Muito desconfiada, sempre tem um pé atrás com relação as pessoas. Ser aprendiz de ceifadora, estava bem longe do que ela queria, mas já que estava ali. Estava aprendendo tudo que podia.
"Temos certeza de que você vai fazer coisas grandiosas neste mundo", o pai lhe dissera. Mas ela não entendia o que havia de grandioso em ser portadora da morte.
Rowan se sente muito só, como se não tivesse família. Apesar de não querer ser um aprendiz de ceifador, porque ele não se imagina matando pessoas, ele vai seguindo pra onde a vida vai o levando.

O que acontece aqui, é que a amizade entre os dois é crescente, mas de maneira muito singela e quase imperceptível. As coisas vão acontecendo de maneira intensa, e ver o seu mentor na ativa, os deixavam apreensivos quando chegasse o momento de se tornarem ceifadores.

Eu gostei muito do Ceifador Faraday, ele é uma pessoa muito crítica e muito consciente do que faz. Mesmo sabendo que tem que ser feito, ele tenta agir com gentileza e escolhe seus métodos de coletar, de acordo com a pessoa, de como ele a vê. Ele tem muita experiência como Ceifador e sabe lhe dar muito bem com seus aprendizes, que acabam adquirindo uma confiança e um respeito mútuo.

Como em toda a sociedade, existe a aqueles que querem se sobressair e usam de métodos meio obscuros para conseguir o que querem. Aqui conhecemos como é a Ceifa, seus preceitos, seus mandamentos e suas leis. Tem a velha guarda, que querem sempre seguir com as regras. Tem os ceifadores mais novos, que querem mudanças e muitas vezes agem sem escrúpulos para tentar conseguir o que querem e do jeito que querem. Então vamos conhecer a fundo como é a vida dos ceifadores, pois cada um faz a sua coleta a sua maneira. Desde que façam. E vamos sentir como os aprendizes vão passar por poucas e boas para chegar até onde chegaram, se é que chegaram.
-Rowan está certo - ele disse. -Eles vão encontrar um botão para fazê-la dançar, e você vai ter que dançar, por mais abominável que seja a melodia.
Eu amei demais a história, me vi presa do inicio ao fim. Eu consegui me conectar tanto com Rowan, quanto com Citra. Ela é muito corajosa, e mete as caras pra fazer o que precisa ser feito. Ela é leal e não deixa se abalar por mentiras. Rowan é muito na dele, mas ele tenta se defender da melhor forma que pode. Ele se vê fazendo coisas que fogem um pouco de seu controle, porque nem tudo pode ser controlado, algumas coisas fogem de nossas mãos, mas ele ainda assim não se deixa se abalar muito, e fecha sua humanidade para poder fazer o que tem que ser feito. Da maneira mais fria possível.

Neal trouxe uma distopia, mas completamente original. Um história que te embala e te leva a ter vários tipos de sentimentos, até os contraditórios. Quantas vezes fiquei de boca aberta e me peguei fechando o livro para alguns acontecimentos? Nossa. Fiquei sem ar muitas vezes.

Os personagens são bem construídos e desenvolvidos. Os personagens secundários, foram essenciais para a história se desenrolar com a perfeição que foi.


A diagramação do livro é simples, mas a capa é belíssima. Todas as vezes que olho eu babo. A capista e o ilustrador estão de parabéns com o trabalho realizado em seus mínimos detalhes para preencher meus olhos de leitora. As folhas são amareladas, a fonte de tamanho médio, completamente confortável aos olhos e a folha em papel pólen. Fico grata  a Seguinte por trazer esta obra ao Brasil, porque meu amor pela escrita do Neal é sem limites rs.


Eu recomendo demais esta leitura e venham se aventurar nesse mundo dos ceifadores.
Primeiro mandamento: Matarás.