Resenha #417 - Na Escuridão da Floresta - Eliza Wass


Título: Na Escuridão da Floresta
Autor(a): Eliza Wass
Editora: Verus
Páginas: 210
Nota: 4/5
Protejo minha mente e meu coração, porque é preciso ter cuidado com o que se aprende; é preciso ter cuidado com quem se deixa entrar. Algumas pessoas podem ser bonitas ou falar bonito, mas é o que elas fazem que nos indica se merecem ou não o nosso tempo. É o que elas fazem que nos indica se merecem nossa fé.
Olá pessoas, tudo bem?

Hoje trago para vocês a resenha deste livro que foi intenso e denso ao mesmo tempo. Ele não foi de terror, mas teve seu grau de horror. É a minha primeira experiência com o livro da Eliza Wass, publicado aqui no Brasil pela Verus Editora.

Castella Cresswell sabe exatamente o que é ser diferente. Ela e seus irmãos são considerados estranhos pela escola e pela cidade em que moram, na verdade que frequentam. O mundo deles se resume à casa onde moram na escuridão da floresta. Eles vivem estritamente em obedecer as leis de Deus que são emitidas pelo seu pai. Um homem que demonstra uma fé inabalável. Onde ele diz que eles são as únicas pessoas puras da terra e que vão se casar uns com os outros em uma cerimônia divina, para que suas almas não sejam consumidas pelo pecado.
Eu odiava a nossa casa mais do que qualquer outro lugar na terra. Cada corredor, cada quina, cada cantinho trazia uma lembrança. Se eu ficasse olhando por muito tempo para qualquer ponto da casa, corria o risco de me afundar nele e me afogar em uma recordação até emergir gritando.
Eles vivem em completo isolamento. Na escola, almoçam todos os dias juntos. Eles são encarados como esquisitos e vivem com hematomas no corpo de uma forma inexplicada. 

Mas Castley se vê obrigada a fazer dupla com um menino na aula de teatro: George Gray. Ai ela começa a ver as coisas de uma maneira diferente e que talvez a vida que ela levava a risca, não precisava ser assim. 

Ela acredita que pode ter uma vida como uma adolescente normal e quando começa a colocar seus planos em prática, descobre o que seu pai planeja para eles e ela se recusa a tentar fugir e deixar seus irmãos para trás. Quando ele anuncia que em breve todos voltarão para casa no paraíso, Castley congela e corre contra o tempo para se livrar das loucuras impostas por seu pai e salvar seus irmãos desse fim tão próximo.
O Túmulo era uma caverna embaixo de um anfiteatro de pedra no bosque. Era uma espécie  de esgoto e tinha sido construído para drenar o excesso de água da chuva  e neve, mas, de acordo com papai, havia sido posto por Deus como um lugar de reflexão. Geralmente, essa reflexão era forçada.
Castley esteve na escuridão da floresta por muito tempo com seus irmãos, será que o valor familiar em que acreditou todo este tempo, será capaz de criar uma barreira e impedi-la de fazer algo? Ou será que seu instinto de sobrevivência e salvação de seus irmãos falará mais alto?

Confesso que fiquei presa durante toda a história. Li em poucos dias. Eu gostei da história, só esperava um pouco mais, para que o final fosse mais desenvolvido, mas foi satisfatório. 

Como o livro é narrado em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Castley, dá para você entrar na mente da garota e perceber seus medos e angústias. Viver toda uma vida, seguindo as regras do seu pai acreditando que eles eram as únicas pessoas puras e que teria que casar entre seus irmãos, para se manterem puros é muito complicado, afinal de contas, você fica pensando, será que é isso mesmo?

Eliza trouxe um pai que se diz religioso e que segue todos os preceitos de Deus, mas você descobre um homem fanático e que levar a religião ao pé da letra, até o segundo round, porque as coisas que li aqui, não mostra que ele segue exatamente isso, a contar, pelas coisas que ele fala para seus filhos e que os obrigam a fazer. 

Não senti que se falou de uma religião específica e nem se tratou de uma discussão religiosa, mas sim, fala-se de um homem fanático  que sujeita a sua família em suas crenças loucas e os obrigam a fazer coisas que aos nossos olhos são loucuras, mas para eles que viveram durante anos esse tipo de ensinamento, era costume. 

Castley era uma menina muito questionadora. Depois que começou a ir para a escola, descobriu algumas coisas que seu pai disse, que não era exatamente tudo aquilo e começou a querer ter uma vida diferente, a sonhar com algo diferente e tudo mudou, quando ela conheceu George Gray, um menino falante, que gostava de viver e enxergava a vida de uma maneira simples e parecia aceitar Castley do jeito que ela era. 

Então ela começou a desejar coisas, saber como seria um beijo, um toque. Como seria ter amizades além da convivência com seus irmãos. Queria saber o que era vestir uma roupa diferente daqueles trapos que vestia e tudo mais. 

Pode parecer bobo esse tipo de coisa, mas na idade dela e da forma que ela fora criada, era normal ter esses desejos e querer uma liberdade para viver do jeito que achasse melhor. 

Então isso ficou bem nítido em toda a história e eu me vi presa, querendo saber quais seriam seus planos e suas descobertas. Viver preso não é bom para ninguém, a não ser que seja da escolha da pessoa e quando ela tiver plena consciência, caso contrário, crescer preso, pode ser desastroso, quando você começa a conhecer uma vida que não imaginava que existia e querer se perder para experimentar tudo de uma vez.

Eu fiquei chocada com as ideias do pai de Castley. Queria saber o que se passava realmente na mente doentia dele. Sujeitar os filhos neste tipo de crença maluca e querer promover o casamento entre eles porque seriam as únicas pessoas puras da face da terra. Fora que eles eram motivos de risadas de todos, mas ao mesmo tempo eram objetos de curiosidade. É cada uma que vemos nessa vida tanto real como na ficção.


A diagramação do livro é simples, como a maioria dos livros da editora. As folhas são um poucos grossas, mas não pesam em nada. As folhas também são amareladas com uma fonte de tamanho médio e de total fácil entendimento. A capa é condizente com a história. Encontrei alguns errinhos de revisão, mas nada que atrapalhe ou incomode demais a leitura.

Para quem curte uma história um pouco densa e com sua pitada de horror, recomendo demais a leitura de Na Escuridão da Floresta. 
Horas devem ter passado, mas eu não me sentia presa. Só um medo crescente, o Grande Desconhecido concentrado. Ele estava vindo. O que iríamos fazer quando chegasse? O que ele iria fazer? E se não conseguíssemos escapar? E se fosse tarde demais? Como seria o fim? Como seria morrer?
Digam-me se já leram este livro ou se pretendem ler. Um xero!

3 comentários

  1. Oi Di, tudo bem? Às vezes uma história com horror como essa angustia bem mais que qualquer drama! Eu não conhecia o livro, mas acho que ao ler tb ficaria presa nessa história!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oiii Di

    Eu tenho curiosidade pela intensidade da leitura, porque ja vi todo mundo falando que o tema é bem denso e que o pai da protagonista é bem doido mesmo, e esse lance do fanatismo religioso fico curiosa em saber como a autora abordou o tema. Pena que o final não foi tão satisfatório...

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  3. Hey DI!
    Já adorei a primeira frase, de boa!
    Mas que livro pesado!!
    Até que ponto chega o fanatismo religioso, né?
    Que homem tenso!!!
    Geralmente adoro livros da Verus, então seria uma super opção, sim!!! <3
    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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