Resenha #366 - Jantar Secreto - Raphael Montes


Título: Jantar Secreto
Autor(a): Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360
Nota: 4/5
Tudo parecia de volta aos eixos. Se eu não estava aliviado, posso dizer pelo menos que me sentia mais calmo. O pior já havia passado: o jantar era a solução perfeita. Eu não podia imaginar que daria naquela merda toda, podia?
Olá pessoas, tudo bem?

Hoje eu venho com mais uma resenha nacional e confesso que estava com altas expectativas sobre esta leitura, ainda mais porque venho ansiando conhecer a escrita de Raphael há tempos, mas sempre era burlada por livros de parceria. Este ano, como tive poucas parcerias, está dando para ler alguns livros pretendidos.  

Raphael, já é conhecido pelos trabalhos de "Dias Perfeitos" e "Suicidas" sempre vejo elogios por estas obras que em um futuro próximo pretendo ler. 

Em Jantar Secreto, conhecemos os quatro amigos: Dante, Hugo, Leitão e Miguel. Quatro amigos que estão juntos desde a infância. Eles são inseparáveis, foram até morar juntos no Rio de Janeiro, para cursar faculdade. Eles moravam em uma pequena cidade do interior do Paraná: Pingo D'Água.

Neste livro inicialmente, conhecemos a história de como eles foram crescendo até chegarem ao Rio de Janeiro, porém a história começa mesmo, depois que eles estão formados, ou quase todos rs.
Você é o nosso convidado para um jantar secreto!
Leitão, era obeso, estava muito acima do peso, passava seus dias comendo porcaria e mexendo na internet, para a sua sobrevivência, ele realizava pequenos golpes na internet, sem prejudicar ninguém. 

Miguel, estava fazendo residência em hospital público do Rio de Janeiro, era o único até aquele momento que tinha uma namorada firme e que pensava em seu futuro constantemente. Ele amava ser médico e salvar vidas.

Hugo, era egocêntrico. Era um chef, mas nunca conseguia ser reconhecido pelo seu trabalho de cozinhar bem e  sempre estava trabalhando como auxiliar em alguns restaurantes, o que o deixava bem irritado, porque ele se considerava bem melhor do que muitos por ai, ainda mais depois de passar seis meses na França aprendendo.

Dante, trabalhava em uma livraria, não que ele gostasse, pois após se formar em Administração, não conseguia arranjar nenhum emprego dentro de sua área de atuação, então por enquanto e para pagar as contas ele se afundava neste emprego que ele tanto odiava. Não que ele não gostasse de livro, porque ele lia bastante, principalmente os de auto ajuda, mas encarar a clientela era mais complicado e seu chefe também.
Não é permitido falar sobre o jantar.
Dante descobriu através de seu corretor de imóveis, que Leitão o responsável pelo pagamento do aluguel, não pagou nos últimos seis meses, então ele fica louco da vida, querendo até bater no amigo. Os demais moradores da casa intervem e não deixa Dante cometer a violência contra o amigo. Mas o problema é que se eles não pagarem a dívida, vão ser despejados e Dante não quer que isso aconteça.
Não é permitido levar acompanhante. Cada presença é única e especial.
Surgiu a ideia de realizar um jantar na casa, afinal aquilo estava se tornando comum em um site, você se cadastrava, diria o que teria no jantar, porque as pessoas gostavam de coisas exóticas e possivelmente eles conseguiriam o dinheiro para pagar a dívida com alguns jantares. Porém Leitão, que era responsável por fazer o cadastro, fez algo inusitado. Em vez de oferecer um jantar onde cobraria 500 por pessoa, ofereceu um jantar com carne humana no valor de 3000 e o anúncio ficou poucos minutos no ar, mas o suficiente, para conseguir dez reservas.
Carne humana com redução de vodca e maçã verde; três mil reais por pessoa. Era para rir, não era?
"Não sei por que você fez isso!", Miguel gritou.
"Foi só uma brincadeira. Por causa do enigma da carne de gaivota."
"Brincadeira? E se a polícia tiver visto?"
Mais uma vez Dante e seus amigos ficaram  loucos de irritação com a ideia péssima de Leitão. E eles não acreditaram que aquelas pessoas estavam dispostas a pagar aquele valor por um jantar exótico e depois de muito discutirem, eles entraram em um consenso de fazer isso apenas uma vez, afinal só com aquele jantar eles conseguiriam pagar a dívida e ainda sobraria uns trocados.
"Não, obrigado", respondo, enquanto pensava na sorte que era não saber de onde vinham a carne de boi, a de porco, o hamburguer, a salsicha e o frango assado que eu comia todos os dias.
A ideia de Montes foi peculiar e muito ousada, eu confesso que inicialmente não estava conseguindo me conectar com a história, mas depois eu comecei a pegar o jeito e me vi presa em um emaranhado de situações que me faz repensar no que o ser humano é capaz de fazer quando se vê em conflito, sem rumo e sob uma pressão forte.

Montes deixa claro algumas mensagens de como a criminalidade no país é grande e como as pessoas podem mudar, quando se tem muito dinheiro envolvido e certo poder. A leitura deixou em minha visão uma crítica social bem forte e me fazendo repensar em algumas situações vividas pela população em nossa crise atual.

A narrativa é bem densa e bem impactante, muitas vezes fechei o livro e não acreditei no que eu lia. Este livro pode deixar o leitor emocionado, enojado e ainda pode trazer uma grande reflexão do que o ser humano é capaz de fazer e onde ele pode chegar. 

Neste livro não tem nada de firulas, as descrições são bem detalhadas e bem descritas. Trata-se de algo bem cru, que se você não tiver a mente aberta para ler, pode passar por algumas situações inesperadas. O que me chamou real atenção, foi os detalhes descritivos das comidas. Como elas eram preparadas até chegar a mesa do cliente.

Não é permitido o uso de celulares ou outros aparelhos eletrônicos.
Confesso que minha imaginação rolou solta e por mais louco que possa parecer, até cheguei a pensar que Montes experimentou para chegar a essa descrição tão perfeita dos preparativos. Confesso que a forma como os cliente saboreavam a comida e elogiavam, me encontrei numa vontade de experimentar também, mas depois me lembrava de como tudo acontecia, e me repreendia internamente. Montes, em alguns momentos, fez com que eu me sentisse um monstrinho também. 

No mais digo que este livro é para quem tem estômago forte e mente aberta, trata-se apenas de uma história, mas o final dela deixa uma reflexão que me acompanhou durante algumas semanas após a leitura. Os momentos finais foram surpreendentes, fazendo com que a história tenha se fixado na minha mente e me causando uma ressaca literária das brabas.

Guarde esta celebração apenas na sua memória – e no seu paladar.
A diagramação do livro está linda. A capa branca com o desenho de prato incitou bem o que esperar da leitura. As bordas das páginas em vermelho, as folhas amareladas e fonte em tamanho médio. Encontrei alguns errinhos de revisão, um pouco frequentes, mas que não atrapalhou a leitura, algo que pode ser corrigido facilmente em uma segunda edição. 

É claro que depois de ter lido este livro, já quero ler mais obras do autor, porque me dei muito bem com a sua forma de escrever. Ele sabe como prender um leitor. Amei.
“O ser humano nasce
Cresce,
Reproduz-se,
E é servido no jantar.”

Xero no coração de todos!!! 

6 comentários

  1. Oi Diana, tudo bem? Faz tempo que quero ler esse livro que super bem comentado, mas como vc falou precisa ter estomago forte e eu ainda nao consegui preparar o meu srsrsrs mas quero conferir depois com toda certeza. Muito boa sua resenha!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Que ideia genial! Imaginei que seria um livro bem descontraído, não imaginava que seria assim quando comecei a ler a resenha. Não conhecia o autor mas parece ser demais.
    Gostei muito das fotos, principalmente da última hahaha

    Beijos,
    ahamare.blogspot.com

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  3. Oii,

    Que história hein!!!!! Mas se tratando do Raphael Montes pode se esperar coisa boa. Eu li O vilarejo, e simplesmente amei o livro e tenho outro dele para ler também. Sem contar que estou louca para ler esse também.

    Beijos

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  4. Olá!
    Já li todos do autor, embora meu favorito é Suícidas e esse nem posso lembrar quando vou cortar ou comer carne rs
    R.Montes e fodástico! Me tornei fã

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  5. Nunca li nada do Raphael, mas gosto de saber que ele é um autor nacional com uma alta qualidade na escrita.
    E apesar de saber que é um bom escritor, acredito que seus gêneros não fazem meu estilo de leitura.
    E eu sou uma pessoa que infelizmente não lê de tudo, Diana.
    Curti os quotes e fico feliz que tenha gostado do livro.
    Um beijinho pra ti! Sucesso!

    Eliziane Dias

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  6. Dih! Amei essa foto!! Estou com ele no Kindle, a minha curiosidade está a mil, nunca li nada dele, mas sempre vi comentários positivos em relação a sua escrita. Amei sua resenha, me deixou mais curiosa, beijos!

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