Resenha #241 - País Imerso - Jéssica Anitelli & Allan Cutrim


Título: País Imerso
Autores: Jéssica Anitelle & Allan Cutrim
Editora: Amazon (Livro Independente)
Páginas: 285
Nota: 5/5

Mesmo sabendo da gravidade do que acontecia, não queria acreditar. Tudo ocorrera rápido demais, violento demais. Por onde corria, via sangue e corpos espalhados pelo chão. O odor enjoativo penetrava em suas narinas e fazia o estômago revirar, dando mil cambalhotas.

Esse livro foi indicação de uma amiga (Ana), e a autora Jéssica, gentilmente disponibilizou o livro em PDF para eu ler, o que me deixou feliz, porque eu já estava com muita vontade de ler o livro, desde o último evento que eu fui e ela junto do Allan, falaram sobre a premissa. Claro que por ser uma distopia nacional, o enredo me cativou quase que imediatamente. 

O livro é narrado em terceira pessoa, e focado na protagonista Aline, uma garota de 15 anos que já iria passar por uma seleção e descobrir no que iria trabalhar por todo o seu futuro. Nesse mundo pós apocalíptico, os militares eram os que comandavam e o maior sonho de boa parte dos jovens era entrar para este grupo e servir o seu país, combatendo os rebeldes que se opunham ao governo atual.

Tudo isso se deu após os militares começarem a entender que quando se tem menos acesso a informação, melhor para comandar o povo e fazê-los entender que somente assim poderiam ficar em paz... com a união da família e ponto. Após um vírus começar a trazer doenças para algumas pessoas, os militares conseguiram combatê-lo, mas a expectativa de vida diminuiu e as pessoas começaram a viver até os 40 anos, o porque disso, muita gente não sabe, mas depois que os militares trouxeram a cura, as pessoas passaram a confiar mais neles e acreditar em tudo que eles falavam.

Graças a sua mãe , Aline sabia que a circunferência azul com uma faixa ao centro e poucas estrelas pertencera à antiga bandeira do Brasil, que na época  tinha mais duas cores:  verde e o amarelo. No entanto, agora o símbolo era apenas a circunferência azul - exatamente igual à cor das roupas dos militares - com a faixa branca. Não havia nada escrito ali, até porque a população não sabia ler.

Mas, tinha os rebeldes, eles sabiam que tudo isso não era verdade e que tinha muita mentira sendo encobrida e muito deles conseguiram se infiltrar na cidade e alguns entre os militares, para poder descobrir todos os podres e libertarem o povo dessa opressão e falta de conhecimento.

As escolas foram fechadas e eles não sabiam ler e nem escrever e muitos já tinham se convencido que esse era o melhor caminho e viviam bem com isso, quer dizer, nem todos. Aline, é uma rebelde, ainda que não saiba bem para que propósito ela precisa entrar no serviço militar. Ela é alfabetizada e tem um grande conhecimento, porém isso tem que estar guardado a sete chaves e qualquer desconfiança pode ser fatal. 

Os rebeldes são considerados verdadeiros criminosos, então ela tem que conviver com este fato e tomar cuidado para não ser descoberta, mas isso é muito difícil, pois mesmo com seus 15 anos, Aline parece ser muito mais madura e tem que tomar atitudes que ela não aceita, para que não seja descoberta.

Aqui temos um enredo que parece ser bem clichê, porque a distopia é basicamente isso, mas a história em si é mais complexa e me arrematou e qualquer coisa que eu venha a dizer a mais pode se transformar em spoiler ou quebrar um pouco do encanto da história. Eu falo que essa distopia nacional, é mais uma prova do autores maravilhosos que temos em nosso país. Eu amei tudo que li e me vi presa em um enredo que eu não queria sair.

Eu compartilhei das emoções e da falta dela que Aline teve que demonstrar. Guardar um segredo desses e ainda agir como se não tivesse conhecimento, foi um dos fatos mais difíceis que ela teve que fazer. E olha que aprendi a gostar dela e aceitar alguma de suas atitudes e sofrer com algumas decisões que ela teve que tomar. Fora algumas perdas que tive que sentir, embora eu não estivesse tão conectada assim com o personagem.

Já posso dizer que aqui temos uma boa ambientação  e uma trabalho incrível de desenvolvimento dos personagens... é possível sentir a maneira como cada um age e sentir até seus medos e aflições... seus atos de coragem e até manifestações infantis que muito raramente a gente vê, porque o fato da expectativa de vida seja muito baixa, eles tem que crescer muito rapidamente, assumindo papéis importantes que se fosse de outra maneira, seria assumida acima de 18 anos e olhe lá.

Eu poderia falar de mais personagens, mas prefiro que descubram lendo o livro. Aqui tivemos muita ação, confiança e a falta dela, relação familiar, segredos, mistérios, descobertas importantes e uma história maravilhosa que pode ser lida várias vezes e você não enjoa, de maneira nenhuma, sempre vai querer mais.



Não posso falar muito da diagramação, porque li em PDF, mas a capa se permanecer a mesma retrata perfeitamente bem o que a história quer dizer e mostrar. Não encontrei erros de revisão, se teve não percebi. Os capítulos são curtos e a leitura flui de uma maneira que quando você percebe a história chegou ao fim, mas que você quer mais. Segundo a Jéssica, ela disse que o livro dois está praticamente pronto e eu fiquei super feliz, porque mesmo que a leitura não tenha deixado pontas soltas, o final teve um bom gancho para a continuação e digo que vale muito a pena se aventurar nessa distopia nacional, foi uma grata surpresa e um enorme orgulho fazer parte desse conhecimento. 

Espero que uma editora que se preze, não perca a oportunidade de trazer essa história para o livro físico, tenho certeza que essa é uma aposta certeira para o sucesso. Quero deixar meu agradecimento para a Jéssica e o Allan, vocês construíram uma história incrível e confesso que não percebi nenhuma diferença na escrita de duas pessoas, parabéns!!! Torço imensamente pelo sucesso de vocês.

Todavia, a mente de Aline não estava ali, e sim no rebelde que fora morto. Nunca tinha visto a ação de alguns deles. Queria entender o motivo da invasão ao posto de vacinação.

Esse livro faz parte do Desafio Literário 2016 - item 12 - Um livro nacional. 
Espero que tenham gostado e procurem o livro na Amazon, a leitura é ótima!
Xero!


14 comentários

  1. Olá, Diana.

    Fico muito feliz em saber que você gostou tanto do livro assim e agradeço os elogios. Allan e eu nos esforçamos muito para criar essa história.

    Vamos torcer para alguma editora olha para esse enredo e resolver publicá-lo em formato impresso, né?

    Beijos e obrigada pelo carinho
    Jéssica Anitelli

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  2. Hello!!!
    Já li um livro da Jéssica Anitelle e gostei mto.
    Não conhecia esse País Imerso, que ela escreve com Allan Cutrim. a capa ta bem bonita.
    Ainda nao li nenhuma distopia nacional e sua resenha me convenceu a tentar ler esse.
    Muio bom o post.
    Beijos.

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  3. Olá, Diana!
    Parabéns por dar a oportunidade de ler e divulgar um autor nacional, pois nossa riquíssima cultura às vezes é desprezada! Não gosto muito de distopia, mas que bom que você curtiu a leitura! Adorei a capa do livro e os quotes que você escolheu!
    Beijos!

    Karla Samira

    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  4. Olá!

    Não o conhecia, mas vou garantir o meu! Amo distopias e, sendo nacional, com certeza é bom. Apesar do clichê que ronda as distopias, cada uma, ao meu ver, tem algo que a diferencia e se destaca às demais.

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  5. Oiee ^^
    De início achei a história um pouco clichê, mas saber que é mais complexa do que parece me deixou animada para ler o livro, principalmente quando você mencionou que os personagens foram muito bem desenvolvidos. Espero que as editoras não percam a oportunidade também, pois se o livro é mesmo bom como você disse, merece mesmo ser publicado ♥

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  6. Diana, fiquei muito curiosa pra ler o livro e saber mais da história, apesar de ter pescado alguns toquezinhos de clichê aqui e ali. Gostei especialmente da citação que você separou sobre a bandeira do Brasil. Achei muito boa! :)

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  7. Olá Di,
    Assim como você disse, a premissa parece ser mesmo clichê, de início, mas saber que a trama é mais complexa, me encantou.
    Acho que os personagens bem desenvolvidos são essenciais para uma boa trama. Fico me perguntando como uma editora não publicou ainda.
    Estou bastante curiosa para ler.
    Beijos

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  8. Oi Diana!
    Amei saber de uma distopia nacional, eu amo o gênero e saber que da existência de um brazuca me anima muito. Só espero que alguma editora se interesse pela história e a publique, porque o livro me pareceu muito bom!
    Bjs!

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  9. Embora batida, a história é muito interessante. Em tempos que pessoas pedem pela volta de uma ditadura, é imprescindível que livros assim sejam lidos e debatidos para que isso nunca mais ocorra em nosso querido e sofrido Brasil.

    Abraços

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  10. Eu sinceramente vou pular esse. Não por mundos pós apocalípticos serem batidos, nada disso... Até gosto do estilo. O que realmente não gosto é quando a obra demoniza militares. Tenho problemas pessoais com isso. Não acho que precisam ser endeusados, acho até que nem devem, mas também não aceito que sejam endemonizados.

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  11. Olá Di, muito bem elaborado a história desse livro e fiquei curiosa para saber mais sobre o livro, esse universo distopico me fascina. Bjs

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  12. oi, tudo bem?
    eu gosto muito de distopias, e realmente, elas tendem a ser semelhantes em alguns pontos. Mas gostei de saber que País imerso se destacou para você e te agradou tanto
    beijos
    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

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  13. Oi Dih, tudo bom?
    Mesmo com as premissas parecidas com outros livros distópicos, eu me interessei pelo livro porque é um gênero que me atrai. A ambientação e os personagens parecem interessantes. Também gostei da história focar na "burrice" do povo para favorecer um governo tirano. Dica anotada e espero que lancem a versão física.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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