Conto: Um Fio de Esperança - Raquel Machado

Olá pessoal, tudo bem com vocês??
Os autores nacionais estão mandando ver na publicação de livros e também em contos. A Autora Raquel Machado me procurou para falar de um conto que ela fez, em uma oficina literária na cidade em que ela mora, ministrado pela Ana Julia Polleto. E ficou tão legal que ela quis compartilhar. O tema é: E se o seu maior medo virasse realidade?

O conto está em vídeo e escrito, você pode curtir das duas formas, ainda mais se você gosta de terror e suspense rs. Confiram e depois deixem nos comentários a opinião de vocês, sobre o que acharam, com certeza a autora passará por aqui para saber também.

**Vídeo**


O conto também está disponível, no Wattpad, é só clicar AQUI.

Mas você pode conferir, ele escrito aqui no blog também.


Um Fio de Esperança
Raquel Machado


Acordo com as batidas incessantes na porta. É noite ou dia? Não que isso tenha relevância. Levanto de mau grado e arrasto-me até a entrada da pequena casa. Abro a porta pronta para xingar quem quer que seja, porém nada consigo ver. Uma rajada de vento me atinge, o que me faz sentir um calafrio repentino, a chuva se aproxima. Decido procurar alguma coisa para comer. Entro em casa e abro os armários, porém eles estão vazios. Tão vazios como minha própria alma. Ao fundo avisto um pacote de bolacha, que vai servir.
Sento na mesa e vejo um inseto correndo sobre ela. Não é exatamente uma barata nem tampouco um besouro, parece algo dos dois. Bicho nojento. Mato-o sem dó.Abro o pacote de bolacha e vou mordê-la, quando vejo o mesmo bicho. Este parece encarar-me nos olhos. Fico hipnotizada por aquele pequeno ser de oito patas. 
Engulo a bolacha junto com o bicho que me atormenta. Porém, a náusea me atinge.Vou até o banheiro e vejo meu reflexo no espelho. Eu ainda sou a garota mais bonita do mundo. Começo a escovar meus cabelos, porém percebo que eles estão caindo em grandes tufos, uma praga da doença que me aflige. Ligo a torneira e, ao lavar minhas mãos, percebo algo estranho. Pedaços de pele começam a se desprender. Minha linda pele clara não existe mais, em seu lugar vejo somente os músculos do ser imperfeito que eu sou. Grito desesperada. As luzes se apagam e um silêncio preenche o ambiente. Tento aguçar minha audição, e escuto meu próprio grito, que parece ecoar pela casa. Corro para sala tentando me esconder, porém sinto meus pés pesados. O tapete da sala parece areia movediça. Arrasto-me com dificuldade até um canto e sento. Tinha escutado histórias sobre pessoas com doenças terminais. Elas costumavam ver e ouvir coisas, então talvez seja tudo parte de minha imaginação. Acordo dos meus pensamentos ao sentir pingos de chuva caírem sobre minha cabeça. Maldita casa, terrível, urbana. Sinto que a água não é límpida, mas sim vermelha, e sua consistência é diferente, parece sangue. O sangue de todos que maltratei.
Corro para a porta, mas não consigo encontrá-la. Estou trancada a mercê dos mortos que vêm me buscar, cobrando por meus pecados. O sangue sobe pelos meus pés, ao mesmo tempo, que escuto o choro das almas sofredoras. É o meu fim. Sinto-me afogar, o ar saindo dos pulmões. Já coberta por aquela corrente sanguínea, abro os olhos e vejo uma criança. Instintivamente a reconheço, aqueles olhos da época em que minha inocência era pura. Ela estende sua mão e tento com muito esforço pegá-la, mas já não tenho forças. Nos entreolhamos e, por um instante, sinto que ainda existe esperança. Sem mais pestanejar, acabo sucumbindo.
Acordo sobressaltada com um barulho incessante na porta. A chuva cai incessantemente do lado de fora. Olho para o criado-mudo onde estão os vários remédios que fazem parte de minha vida. Maldito sonho. Caminho até a porta de mau grado. Abro e não vejo ninguém, escuto apenas o barulho do vento que sussurra:
- Ainda há tempo.

Sobre a autora:


Raquel Machado é formada em Ciência da Computação, e participa do mundo das artes desde criança, sendo uma de suas maiores paixões a literatura.
Há anos em meio a blogosfera literária e com histórias sendo escritas e rascunhos, decidiu tirar do baú suas ideias e compartilhar com o mundo.
A autora reside no sul do Brasil na cidade de Caxias do Sul/RS. Mora com os pais, quatro cachorros e uma estante cheia de livros.


Agora me digam: E se o seu maior medo virasse realidade? O que você faria?

Eu sinceramente não sei, porque o meu maior medo é de morrer afogada, imagino  a falta de ar, imagino o meu sufoco para emergir e acabar com a minha agonia, por isso tenho medo de piscinas fundas e água em geral, pra mim tomar um banho de chuveiro já está de bom tamanho rsrs.

Xero no coração de todos!!!



16 comentários

  1. Oi Dih!

    Adorei o conto, só a parte do biscoito com bicho que me deixou enjoada! kkkkkk

    Vou tentar assistir o víedo mais tarde, ótima ideia fazer um conto em vídeo!

    Bjo bjo^^

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  2. Bom, já tinha visto o vídeo deste conto em algum lugar, mas assisti de novo, pois eu lembro que tinha adorado, é meio que um suspense, e o som de fundo ficou em sintonia com a história, adorei o conto.

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  3. Acho que o video deixou o ar de suspense do conto ainda melhor nao é? Adorei o conto e adorei a ideia da autora! muito bom e fazia tanto tempo que eu nao lia contos...

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  4. Eu não gosto muito de conto, mas esse em especial me deixou curiosa sobre o que estaria acontecendo com a protagonista. Creio que estava realmente sonhando, mas ao mesmo tempo delirando e com medo de tudo que fez de mal para os outros... o que adianta ser a mais linda e ficar sozinha ne?!
    Me surpreendi que a autora é das exatas e teve essa sensibilidade para escrever algo tão poéticos, parabéns Raquel, vc tem talento de sobra!

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  5. Eu já tinha lido esse conto e adorei! Não sei o que faria se meu maior medo virasse realidade. A autora escreve muito bem e pretendo ler mais coisas dela.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  6. Gostei bastante do conto... e achei mais interessante ainda essa versão em vídeo.. acho que deu um toque a mais.. não sei bem explicar.. espero que mais projetos como esse possam surgir..

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  7. Oi Dih..
    Eu também ajudei a divulgar esse conto, e i e gostei muito. Bem sinistro.
    A música deu um toque especial, e adorei a experiencia de ler assim em vídeo.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  8. Olaa
    O conto parece ser muito interessante, adorei o vídeo e saber mais, irei ler quando tiver tempo. Ótimo post.

    Beijos
    Reality of Books

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  9. Oi, Diana! Não curti o conto não. Não gosto de terror, mas encarei a proposta e não senti medo. Não sei se por ser excessivamente pequeno ela correu na narração, mas não consegui me envolver.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  10. Não leio muito conto e terror, mas achei bem legal o video. Não sei o que eu faria se o meu medo se transformasse realidade, pois o meu é ficar sem o meu pai e a minha avó.

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  11. adoro contos, e amei esse em especial e pra aflar a verdade nao sei o que seria de mim se o meu maior medo virasse realidade, espero em breve ler mais contos da autora

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  12. Oie, tudo bom?
    Conheço o trabalho da Raquel e achei o conto extremamente instigante e angustiante. Meu maior medo é perder pessoas que amo, mas isso é algo que passamos durante a vida e mesmo assim morro de medo.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  13. Nossa que conto hein, bom o medo, gente eu tenho medo de tanta coisa, sou medrosa demais, como você e também tenho medo do morrer afogada gente deve ser horrivel né, gostei muito da profundeza do conto, muito bom mesmo.
    Beijos *-*

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  14. Nossa ótimo conto ! Os contos da Raquel são sempre angustiante!

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  15. Oi, tudo bem?

    Eu não sou muito fã de contos. Tenho lidos alguns só porque baixei da amazon de graça, mas me decepcionaram tanto que fiquei mais sem interesse ainda em contos. Apesar de tanta decepção eu fiquei bem interessada em ler este. Parece ser bem interessante :)

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  16. Oi! Gosto muito de contos, são histórias curtas e que os finais dão sempre a impressão que aquela história não acabou ali e essa sensação é boa. Gosto também dos de terror e esse é muito bom, fiquei agoniada na parte em que o sangue a tomava, mas senti que era um sonho que ela tinha, na verdade, mais ou menos, foi mais como se fosse um aviso.
    A escritora tem talento, gostei muito do conto.
    Não tenho medo de afogamento não, ao contrário, sinto que o mar me chama, olha que nem sei nadar, rsrs. O meu maior medo... não sei qual é, mas me sinto angustiada quando percebo que estou sozinha por um bom tempo em um lugar que nem conheço, acho que está sozinha numa situação que é melhor está com alguém, rsrs.
    Beijo

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