Contos #10 - Débora da Cruz - O Barman

Olá galera... Tudo bem com vocês???
Hoje eu venho trazer mais um conto vencedor da semana no grupo Minhas Escrituras no facebook. Essa semana o tema foi Zumbis e o conto da Débora foi o escolhido. Vamos conferir?


Débora da Cruz
O Barman

James entrou no bar para fugir um pouco da tempestade. Chovia muito, o maior aguaceiro que ele já tinha visto em toda a sua vida, isso porque vivia em uma região costeira, onde as chuvas eram constantes, mas como aquela, nunca houve igual, pelo menos em seus 35 anos de vida aquela era a primeira tempestade que vira com aquela intensidade.

James era um caro um tanto comum, cabelos castanhos, olhos igualmente castanhos, mas tinha o péssimo costume de enxergar coisas que não existiam, na maioria das vezes envolvendo sua namorada, Angélica, com quem acabara de ter uma discussão, talvez a pior em 3 anos de relacionamento, por imaginar que ela estaria “dando mole” para um rapaz com quem trabalhava. Ele saiu de casa para espairecer, pois estava convencido de que teria de terminar sua relação, mas não esperava encontrar aquela tempestade tão violenta, que aparentemente não foi prevista pela meteorologia local, surgindo de repente, ninguém sabe de que direção.
O bar estava praticamente vazio, James viu três ou quatro pessoas sentadas em mesas separadas, bebendo sozinhas. No bar não havia música, apenas o som do vento forte. O barman esfregava um pano encardido em um balcão igualmente encardido.
- O que vai ser para você? – perguntou ele a James.
- Não quero nada, eu só... – ele parou de falar quando notou a expressão sombria no rosto do barman – um conhaque, por favor.
O barman se apressou em servi-lo e voltou ao seu movimento mecanizado de esfregar o balcão. James tomou o primeiro gole da bebida e sentiu a garganta queimar, a tão familiar sensação do primeiro gole de álcool. Mas dessa vez, a sensação continuou, 60 segundos depois de ingerir, ela ainda estava lá.
- O que tem nessa bebida? – perguntou, - Isso é mesmo conhaque?
O barman não respondeu.
- Hey, cara! Tô falando com você?
O barman continuava esfregando o balcão. James foi até ele e segurou em seu pulso.
- Cara, você está me... – Ele interrompeu a si mesmo – Mas que mer... ?
Um raio muito próximo produziu um clarão dentro do bar e James viu que a cor daquele pulso que segurava tinha um tom acinzentado, mas ao mesmo tempo esverdeado, de textura macilenta e pele extremamente úmida. Antes que pudesse soltar, o barman virou o rosto lentamente na direção de James, seus olhos eram inexpressivos. Seu rosto se contorceu no que James julgou ser a tentativa de um sorriso medonho, mostrando dentes muito amarelos e outros podres.
Ele gritou, um medo avassalador martelando em seu peito. Sentiu-se tonto, achou que iria vomitar. Aquela sensação de algo queimando dentro de si continuava. O barman começou a falar, mas a sua voz não era a mesma que James havia escutado quando pediu sua bebida, era algo gutural, inumano, que fez os pelos de sua nuca se eriçar de terror.
- A bebida está boa? Que um pouco mais?
James tentou responder, mas as suas palavras não saíam. Tentou correr, mas suas pernas não obedeciam, assim como acontece nos pesadelos, ele sentia que estava se mexendo em câmera lenta. Quando conseguiu sair do lugar, o barman também se mexeu e caminhou em sua direção com passos vacilantes, só então James percebeu que a perna do barman estava quebrada em dois lugares, com os ossos expostos e uma ferida com um emaranhado de vermes que devoravam a carne putrefata. No lado esquerdo da cabeça do barman, havia um enorme ferimento com sangue coagulado e um pouco de sangue seco nos cabelos que ficavam em torno da ferida.
- Quem é você? O q-que é você? – James gaguejou.
Sem resposta.
De repente, ele se lembrou que haviam outros clientes no bar e se perguntou se seria possível que tudo aquilo estivesse acontecendo sem que nenhum dos outros notasse. Quando se virou, era tarde de mais. Os outros clientes do bar, encontravam-se no mesmo estado, ou até pior, e estavam a centímetros de distância dele. Não havia para onde correr, ele estava cercado por aquelas criaturas mortas-vivas. Tudo estava perdido, aquele seria o seu fim. Ele conseguia ouvir as batidas do próprio coração, e estava torcendo para que tivesse um enfarto e não tivesse tempo de sentir dor ao ser rasgado por aquelas criaturas. Sentiu mãos pegajosas o segurarem pelos braços e a última coisa que enxergou foram aqueles olhos sem expressão.

******************
Rafael avistou o bar e achou estranho nunca o ter visto ali, ele jurava que naquele local só existia árvores, mas bem, ele estava mesmo procurando por algum lugar onde pudesse se abrigar da tempestade, e como já fazia algum tempo que não bebia resolveu unir o útil ao agradável. O bar estava quase vazio, mas não era problema para ele.
Ao chegar ao balcão, encontrou um barman esfregando seu trapo encardido sobre um balcão que parecia não ser limpo há séculos.
- O que vai ser para você? – perguntou o barman.

- Um conhaque, por favor.



E ai gostaram??? Comentem...
Xero!



15 comentários

  1. Olá!!
    Muito legal o conto, tem um ritomo gostoso de ler, confesso que não sou uma pessoa muito amiga de contos, mas já aprendi que depende do ritmo que o autor impõe na história, muito legal!
    Seguindo o blog!
    Abraços
    Melissa
    De Coisas por Aí

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    1. Oi Melissa...
      Obrigada pela visita e por seguir o blog...

      Xero!

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    2. Olá, sou a Débora, autora do conto. Estou comentando em anônimo pois não tenho blog, hahaha. Estou muito feliz que tenha gostado! Beijos.

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  2. Olá!!
    Gostei do seu conto, você escreve bem =)
    Vou procurar outros hihihi
    Beijos
    Garota Liber
    http://garotaliber.blogspot.com

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    1. Olá, sou a Débora, autora do conto. Estou comentando em anônimo pois não tenho blog, hahaha. Estou muito feliz que tenha gostado! Beijos.

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  3. Diana! Obrigada pela visita! Vim conhecer seu cantinho e gostei muito!

    Achei a história excelente e o argumento inteligente, precisa de algumas correções de pontuação e figuras de linguagem, mas de qualquer maneira, é um bom conto!

    Parabéns pela criatividade!

    Retalhos Assimétricos

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    1. Olá, sou a Débora, autora do conto. Estou comentando em anônimo pois não tenho blog, hahaha. Obrigada pelo seu comentário, isso é muito bom para que eu possa aperfeiçoar a minha escrita, sei que ainda tenho muito o que melhorar, mas estou feliz que tenha gostado. Beijos

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    2. Obrigada Samantha tenho certeza de que a Débora vai levar seus conselhos em consideração... Xero!!

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  4. Oi Dih, tudo bom?
    adorei o conto, a unica coisa ruim dos contos é que a gente fica querendo mais né? kkk

    Beijos!
    http://meuvicioliterario.blogspot.com.br/

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    1. Olá, sou a Débora, autora do conto. Estou comentando em anônimo pois não tenho blog, hahaha. Estou muito feliz que tenha gostado! Beijos.

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  5. Adoro contos, principalmente escrevê-lo, rsrs. Essa história é incrível, e o final (0 que vai ser para você?) ficou parecendo última cena de filme de suspense, rsrs, adorei!
    A escritora é linda, e tem uma ótima escrita. Lançaria um bom livro fácil fácil...

    Abraços!

    pecasdeoito.blogspot.com.br

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    1. Olá, sou a Débora, autora do conto. Estou comentando em anônimo pois não tenho blog, hahaha. Estou muito feliz que tenha gostado! Beijos. PS: Obrigada pelo linda xD

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    2. Nossa Diego que bom que gostou a Débora adorou o comentário... Xero!!!

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