Contos #5 - O Sacrifício - Diana Canaverde

Oi galera, é meio estranho fazer uma postagem para mim mesma (risos), mas vamos lá. O meu conto foi escolhido no programa contos de sábado no grupo Minhas Escrituras no facebook, o tema foi bruxaria.


O Sacrifício
Diana Canaverde

Já tinham me falado que esta cidade era amaldiçoada, mas eu não quis dar os devidos créditos, só de entrar nela causava calafrios em minha pele, os pelos de meu corpo estavam todos eriçados, mais estranho ainda era a entrada cidade que começava por um cemitério, porque minha mãe tinha que vir trabalhar aqui, posso ouvir sua voz nitidamente dizendo “Filha não temos muita escolha o salário que me oferecem lá é o suficiente para bancar a sua faculdade” mas morar em uma cidade fantasma não era a melhor coisa do mundo, como a minha mãe não podia perceber o olhar estranho das pessoas da cidade, pareciam que estavam sem vida, pareciam controladas, elas parecia marionetes. Eu estava na escola me sentia sozinha não tinha com quem conversar, o professor dava aula de uma forma automática e os alunos correspondiam automaticamente, todas as vezes que ele fazia uma pergunta todos respondiam ao mesmo tempo e eu ficava calada, na hora do intervalo também era a mesma coisa, pareciam fantoches agindo e se mexendo na mesma sincronia e eu ali no meio daquela loucura. Parecendo a única garota diferente, parecendo a verdadeira estranha e as vezes eu acreditava nisso. Mas logo isso iria terminar ano que vem eu iria para a faculdade e arranjaria um jeito de minha mãe ir junto, nunca que eu iria deixa-la nessa cidade de zumbis.
A minha mãe trabalhava no IML, isso mesmo ela trabalhava com gente morta, aquilo me dava arrepios, mas era o que ela gostava, será que á as pessoas agiam estranho da mesma forma que esses jovens da escola? OMG eu jamais iria conseguir fazer amigos desse jeito, eu não queria me comportar que nem um fantoche e queria sair dali e teria que arranjar alguma desculpa para minha mãe pra sairmos daqui e logo talvez eu não consiga esperar até terminar meu ultimo ano do ensino médio. Eu voltava da escola para casa, observando tudo e todos, quando eu vi um garoto vindo em minha direção, ele não parecia igual aos outros, era como eu tinha vida e aquilo me deixou um pouco mais aliviada pelo fato de eu não me sentir mais sozinha. Ele se aproximou de mim e percebi que ele era lindo, ele era alto e tinha cabelos castanhos claros, seus olhos eram esverdeados e ele tinha um olhar intenso, sua boca era fina, mas tinha um belo contraste e ele vinha em minha direção com um sorriso que me deixou um pouco tonta, enfim alguém com vida alem de mim e minha mãe. Parecia que ele estava feliz em me ver também o que era legal talvez ele tenha passado pela mesma coisa que eu quando cheguei nessa cidade assustadora e morta, talvez ele seja um forasteiro que nem eu só espero que o pai dele não seja separado da mãe e tenha vindo trabalhar no IML ai seria um pesadelo bem estranho.
- Hei – Ele falou se aproximando mais de mim, com aqueles cabelos desgrenhados pele meio bronzeada, olhar profundo e sorriso intenso.
-Hei – Eu respondi de uma forma mais animada que o normal.
-Sou eu ou essa cidade é estranha? – Ele me perguntou com um tom de brincadeira.
-Não é você, a cidade é macabra – Eu respondi no mesmo tom.
-Meu nome é Alex.
-Eu sou Katy
Nossos olhares ficaram mais fortes um para outro, ele era muito bonito e parecia estar muito vivo, bem mais do que qualquer um outro desta cidade e bem mais vivo que eu, aquilo me deixou eufórica por dentro, conversamos por um bom tempo no meio da rua sentados em um banco, depois eu o convidei para jantar em minha casa, mas ele disse que não podia, pois tinha alguns negócios de família para resolver e por incrível que pareça seu pai também tinha vindo trabalhar aqui devido o ótimo salário oferecido e ele seria chefe de minha mãe, (bem acho que só aceitam para trabalhar no IML quem é de outra cidade estranho e mórbido isso) mas por incrível que pareça com morbidez ou não aquilo me deixou animada, nos encontraríamos outro dia na escola, menos mau, eu não ficaria perdida em meio daqueles zumbis, pois era o que eles pareciam, zumbis, claro que não daquela forma nojenta, ele pareciam normais exceto pelo fato de ter o olhar morto, como se fosse comandados, parecia que a minha presença no meio deles não fazia nenhuma diferença era como se eu não existisse, amanhã será Halloween, quem sabe eles amanheceriam normais??? Só eu mesmo para pensar nessas loucuras. Cheguei em casa cansada, o sol da cidade era muito quente e eu estava derretendo, fui direto para meu quarto, eu ainda tinha caixas para desempacotar, mas ficariam para mais tarde, tomei um bom banho gelado e desci para comer alguma coisa e algo se movimentava na cozinha, desci as escadas devagar e chamei pela minha “mãe” e nada só o movimento de novo chamei “mãe” e nada, então entrei de solaio pela outra porta e a geladeira estava aberta, peguei a vassoura que estava ali perto e segurei com força, foi ai que escutei um ronronar, parecia um animal e como ele teria entrado e quando me aproximei o choque era a minha mãe, ela parecia um animal faminto, estava descabelada e estava faminta, mas quanto mais ela comia ela tinha forme, vendo aquela cena arrepiei todo o meu corpo...
-Mãe!!!! – Gritei impulsivamente, mas parecia que eu não estava ali, ela continuava remexendo na geladeira, simplesmente fui para o meu quarto e comecei a chorar, ela não transmitia nenhum gesto de violência a não ser de fome ela comia tanto, mas não parecia ser suficiente e percebi que eu não podia ficar aqui no meu quarto chorando eu tinha que fazer alguma coisa, então eu desci e quando cheguei a cozinha ela não estava mais lá, simplesmente tinha sumido e a cozinha estava intacta totalmente limpa.
Aquilo me deixou assustada, não eu não poderia estar passando por isso, eu iria encontrar a minha mãe e iria embora dessa cidade já, não existia nenhuma dificuldade que poderíamos enfrentar, mas nessa cidade não ficaríamos mais nenhum minuto . Sai pelas as ruas morta da cidade a procura dela, nem tinha como perguntar nada para ninguém porque todos estavam mortos pelos os olhos, então depois de tanto caminha sentei num banco de uma praça suspirando de cansada e já era noite, nem sabia que horas eram, mas sabia que já era tarde, olhei ao redor e a cidade estava deserta, não tinha barulho de nada, estava um silêncio total, “Mas o que está acontecendo aqui” me perguntei morrendo de medo, foi então que senti um toque quente em meu ombro, aquele toque estremeceu todo meu corpo, eu tive medo de me virar e olhar, mas eu não podia ter medo, não tinha ninguém vivo por aqui, pelo menos não com os olhos.
Me virei e tive a visão de Alex com aquele sorriso lindo, mas seus olhos estava estranhos, eles tinham vida, mas parecia que estavam se apagando...
-Ah! Oi Alex você me assustou! – Falei com surpresa na voz, eu estava com medo muito medo.
-Eu estava passando por aqui Katy e te vi sentada e vim ver se está tudo bem. – Porque ele precisava saber disso? Se estava tudo bem comigo? 
-Estou bem – menti – Eu já estava indo para casa. – Ele não parece ter acreditado em mim, sentou-se ao meu lado e estava me observando, me avaliando e eu não estava gostando muito disso ele era diferente como meu, eu não poderia ficar sozinha aqui, precisava achar minha mãe e ir embora e adoraria que ele fosse junto com a sua família.
-Não vá preciso que venha comigo. – Ele falou com um olhar sombrio, mas parecia estar assustado também.
-Não posso! Estou procurando a minha mãe, ela ficou meio maluca e sumiu - disse choramingando e ele pegou em minha mão, senti uma eletricidade passando para meu corpo e eu me assustei e soltei imediatamente, ele ficou olhando para mim com um olhar triste e disse...
-Eu sei onde sua mãe está – ele disse sério – vem comigo Katy.
Eu não disse nada apenas fui com ele. Nós andávamos pela rua e tudo muito deserto, as casas estavam escuras, e aquilo tudo soava muito estranho, olhei para Alex que me observava, parecia querer saber o que eu pensava, seu olhar era intenso, mas estava quase morto e eu precisava saber porque estava assim e se ele sentia alguma coisa...
-Alex você percebeu como a cidade está vazia?
-Sim Katy muito vazia. – Ele respondeu sem vida.
-Sua casa está muito longe? – Perguntei olhando para a rua deserta cheia de casarões escuros.
-Chegamos.
Olhei para a casa e tudo estava escuro, ele acendeu uma lanterna e eu disse.
-Na sua casa não tem luz?
-Tem, mas estamos com problemas nos fios, venha por aqui.
Não fomos em direção a porta da frente, iríamos entrar pelos fundos a casa parecia muito grande e escutei alguns ruídos, seria a minha mãe? Eu estava com medo então Alex pegou em minha mão de novo e aquela eletricidade tomou conta de mim, eu tremia inteira e ele me guiou por um portão, tinha algumas pessoas fazendo movimentos de uma lado Para outro e fazendo um som de zumbido com se estivessem meditando e eu vi que tinha velas acesas ao redor daquele lugar que parecia uma espécie de santuário em céu aberto. Eu estava assustada, olhei para Alex e seus olhos estavam esbranquiçados, sem vida olhei para todos e estavam com o mesmo semblante dele, fiquei desesperada...
-Alex, Alex!!!!! O que está acontecendo??? – Ele me segurava com força, mas continuava sério e sem vida, eu olhava para todos e ouvia as vozes soando em um só som “sacrifício” “sacrifício” “sacrifício” Eles gritavam cada vez com mais força, de repente vi minha mãe, ela estava com um vestido vermelho colado no corpo mostrando as suas curvas sentada no colo de um homem, ele parecia uma estátua entalhada e ela acariciava o queixo dele onde tinha uma pequena barbicha, gritei por ela e nada, Alex agora me segurava com força ai me colocou em um centro de um altar onde tinha pedaços de mãos e pés humanos, aquilo fedia, era nojento, eu já me encontrava chorando, foi daí que olhei em seus olhos e disse...
-O que está acontecendo? O que você vai fazer??
Ele me olhou nos olhos e disse...
-Você será a nossa libertação, eu sei que você sentiu um choque em seu corpo, você é a escolhida de nossa rainha da colheita, ela voltará para nós em seu corpo e ficaremos livres dessa maldição.
Ele derramou álcool nas mãos e pés que estavam ao meu redor e logo em seguida me fez beber algo, tinha gosto de ferrugem, era sangue... Que nojo, bebi relutante, olhava para a minha mãe e ela nem notava a minha presença, Alex se aproximou de mim com seus olhos sem vida e me deu um beijo, apesar do medo, apesar do desespero o beijo foi quente, estremeceu cada pondo de meu corpo, senti um calor subindo por minha nuca, depois disso ele rasgou as minhas roupas, eu gritei para ele parar, mas ele não me ouvia, apenas me deixou nua, depois passou a adaga cortando um pouco o meio entre meus seios a mostra onde escorreu um pouco de sangue, eu fiquei envergonhada por isso, mas ninguém parecia notar Alex me olhava com intensamente e parecia que queria me possuir, ele tocou de leve em meu seio e aquilo me causou um calafrio pelo corpo, incrível e apesar do medo que eu sentia e do tremor que eu sentia por meu corpo eu ainda me sentia atraída por ele, nossa o que estava acontecendo comigo? Depois que ele fez esse corte que por sinal doía e ardia muito e quando vi o que ele havia desenhado entre meus seios era um símbolo wicca não acredito!!! Eles estavam fazendo bruxaria e me usando como isca então em nenhum momento ele mentiu e de repente vi umas nuvens escuras surgindo pelo céu e eu o ouvi dizendo...
-Vem minha rainha, venha nos livrar dessa maldição, venha ser minha te quero em minha perdição.
Aquilo me deixou assustada e de repente vi a imagem meio transparente de uma mulher, ela era linda, mas seus dentes eram amarelos feito ouro e seus olhos vermelho sangue, eu gritava, tentava me soltar, foi daí que Alex pôs fogo por volta de mim e eu senti quente as pontas de meus pés e em um ultimo suspiro, senti meu corpo inteiro pegando fogo e aquela criatura estranha em forma de mulher dominando meu corpo, senti minha alma perdida em um lugar escuro, gelado e sem vida e vi meu corpo sendo recuperado das chamas e servido de hospedagem para aquele ser de outro mundo e foi daí que acordei, era um pesadelo, um sonho muito ruim me senti aliviada por estar em casa e em meu quarto e quando levantei para lavar meu rosto no banheiro que olhei meu rosto pelo espelho, vi meus dentes amarelos feito ouro e meus olhos estavam vermelhos feito sangue, soltei um grito ensurecedor e corri para o espelho maior que tem no meu quarto desabotoei minha blusa do pijama e lá estava o símbolo wicca desenhado no meio de meus seios e quando levantei mais o meu olhar lá estava Alex em volto de minha cintura e sorrindo para mim.


Xero!!!!

13 comentários

  1. Parabéns! Gostei bastante da estória, só mudaria algumas coisinha estruturais... (por favor não me odeie, sou extremamente crítica, é mais forte que eu xD). Mas sério, a estória é boa!

    Beijos!
    fantasiandocomoslivros.blogspot.com.br

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    1. Oi Tainah... muito obrigada... e fica tranquila pois adoro críticas construtivas... ;) Xero!

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  2. Parabeens Dih!!

    Amei amei amei seu conto! Tu tem muito talento parceiraa!! Quero ler um livro teu!! :DD
    rs ' - Com direito a dedicatória!!

    Deixa eu elogiar de novo: Seu conto tá incriveel Dih!! rs

    beijos

    Adriano G.
    http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/

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    1. Aiiii obrigada Dri... sua opinião é mega importante para mim =) como diz nossa querida Keila Gon "Corei aqui" rsrsrs Xero!!!

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  3. oi oi Dih, tudo bem? *--*
    te indiquei para outra TAG no meu blog hihi: http://meuvicioliterario.blogspot.com.br/2013/06/tag-selinho-liebster-award.html

    caso ja tenha respondido(desculpa) mas me manda o lin para que eu possa ler suas respostas? bjs bjs
    http://meuvicioliterario.blogspot.com.br

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    1. Aiiiiiiiii eu já respondi sim amoree... mas vou lá no seu blog lindo deixar o link xero!!!!

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  4. Olá, como vai? Eu curti bastante, e parabéns!!
    Abraços :*

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  5. Oi linda..
    Muito bom seu conto e sinistro. Uma cidade fantasma, com todos olhando com olhar sem vida.
    Deu calafrio.
    Mas você escreve muito bem viu.
    Beijos

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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    1. Oi LÊ... muito obrigada pelos elogios, fico muito feliz... de verdade :) Obrigada....

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  6. Arrasou, flor!! Muito bom... só faltou o

    ''CONTINUA...''

    Beijo

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  7. Ahhhhh!!!!! Parabéns!!! Tá lindo, você é uma grande escritora! Bjs Dih!

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