Contos #4 - Veneno - Sara Falcato

Olá Pessoas Lindas...
Hoje eu volto com mais um conto, dessa vez o tema é romance policial, esse conto é do programa de contos de sábado do grupo Minhas Escrituras no facebook. A Sara foi a escolhida da semana!


Veneno
Sara Falcato

Olhar para o rosto dele ferido naquela cama de hospital deixava-a desconfortável. - Como é que eu pude ser tão idiota? – interrogou-se pela milésima vez naquela noite. - Não te culpes! – exclamava a sua boa amiga de infância – O teu trabalho é difícil, é normal cometerem-se erros.  A jornalista olhou pelo canto do olho para a colega de casa e enfermeira de nome Morgana, que lhe sorria atenciosamente, sempre a tentar reconfortá-la quando algo lhe corre mal. - Não faças isso a ti própria Ângela! – os olhos de Morgana mudaram de conforto para preocupação – Tu não és policia, és jornalista não tens que te meter neste caso. Ângela levou as mãos à cara e fecho os olhos para meter as ideias em dia. Depois disse: - Estamos a falar de um monstro! – exclamou séria e pálida – Eu vi, eu entrei dentro daquele orfanato…  A imagem das três crianças sem vida não lhe saia da cabeça. Mortas com veneno. - E o que queres fazer? Não podes mudar isso. - Posso apanhar quem fez isto. – declarou. - Deixa o assunto para a polícia. – agarrou-lhe o braço com força. - Onde é que estava a polícia quando o meu namorado foi espancado e quase morto? – gritou-lhe de súbito. Todos os presentes na sala a encararam. Morgana não conseguiu dizer-lhe mais nada, sabia que a amiga tinha razão, apesar de muitas vezes insensata era inteligente e via coisas onde mais ninguém conseguia. Se alguém podia apanhar quem fizera aquilo era ela. - Enfermeira preciso que vá ter com o paciente do quarto 16 para lhe dar a medicação. - Sim doutor. – foi-se embora cabisbaixa. - Ângela, tens um minuto? – perguntou-lhe o médico entrando no seu consultório. Sentaram-se. - Sim? – disse ela. - Há quanto tempo nos conhecemos?  Ela não respondeu, não gostava de perguntas retóricas nem de ter aquele tipo de conversas. O homem que estava à sua frente era o melhor médico que alguma vez vira, contudo não era exemplo para ninguém. Quando ela tinha cerca de dezenove anos ambos tiveram um caso amoroso, conheceram-se na Universidade, ele dava aulas de medicina e ela encontrava-se no seu segundo ano do curso, no final desse ano o homem deixou de dar aulas, pois uma aluna apresentou queixa dele alegando:  «Tentativa de abusos sexuais» - O que queres Henrique? – questionou com sete pedras na mão. - Ajudar-te. Apesar de tudo sou teu amigo. – isso ela não podia negar, ela conhecia-a melhor que qualquer pessoa no mundo. – Eu sei que aquele orfanato de diz muito… - Eu fui criada naquele sítio. – Henrique era o único que sabia desse seu dado biográfico.  O médico agarrou-lhe a mão e de dentro da sua gaveta tirou um ficheiro. - O que é isto? - Junto ao lar existe uma praia não é? – ela assentiu com a cabeça. – Há cinco meses atrás um rapaz foi encontrado morto numa gruta, cinco crianças do orfanato disseram que ele entrou lá para dentro e nunca mais saiu. Uma das crianças faleceu com tuberculose – fez uma pausa e encarou-a nos olhos. – Outras três foram encontradas mortas há duas semanas, outra está desaparecida. Ângela levantou-se de súbito, lera no jornal algo sobre aquele assunto. O caso nunca fora muito bem explicado. - Eu tenho que ir! Saiu a correr do hospital, meteu-se no carro e pegou no telemóvel. - Isaac?  - Ângela? – disseram do outro lado. - Quero que me digas tudo o que sabes sobre o rapaz encontrado morto na praia. – pediu ela. - Como assim? - É urgente! - Pelos depoimentos prestados aqui na esquadra, os miúdos estavam apenas a brincar, um deles entrou para a gruta e a maré começou a encher. Depois o miúdo só saiu de lá sem vida no dia seguinte porque os bombeiros e foram buscar.  Ângela olhou para a pasta que tinha à frente e disse: - Não ficaram registrados os nomes das crianças presentes. - Sim, decidimos ocultar o nome das crianças para a sua própria proteção. Nunca se sabe como esta sociedade se comporta e podia existir represálias por parte da mãe do pobre falecido… O mais estranho é que ela desapareceu. A mulher petrificou. - Mãe? - Sim, ele ao contrário dos outros tinha mãe, uma senhora que por falta de dinheiro era empregada no orfanato e vivia lá com o filho.  - Isaac quero que vás ter ao orfanato é urgente. O homem ia perguntar-lhe algo, mas ela desligou e acelerou com o carro. Só travou depois de entrar à porta do velho edifício. Tirou as fitas colocadas pela polícia e entrou lá para dentro. Tentou acender as luzes, mas a eletricidade tinha sido cortada. Deu dois passos à frente e ouviu o murmúrio de casa mal assombrada seguido de uma exclamação de dor: - Eles levaram o meu menino! Ângela continuou a andar até a sala principal, sempre seguindo aquela voz de desgosto. - Ele não merecia. Através da luz da lua dava para ver a mãe do falecido mais a criança que desaparecera nos seus braços.  Ambos choravam. - Ninguém teve culpa, foi um acidente. – declarou a jornalista. A mulher largou a criança que fugiu para junto de Ângela que o agarrou com força nos seus braços. Olhando melhor em seu redor a rapariga viu uma pá ensanguentada - «foi isto que ela usou para o espancar» - Ângela lembrou-se do seu namorado na cama de hospital, ele era fotografo e muitas vezes trabalhavam juntos. A mulher tinha os olhos brilhantes das lágrimas, de trás de si tirou uma arma e mirou na sua própria cabeça. O som feito pela arma entoou por todo o espaço e a mulher caio ao chão com uma bala na cabeça. Ângela saiu do edifício juntamente com a criança, minutos depois a polícia chega.

Espero que tenham gostado, adoro a escrita de Sara a nossa garota de Portugal! Linda te adoro!!! :)

Xero em todos e que tenham um ótimo final de semana!



6 comentários

  1. Minha linda me passa o seu email nos comentarios do meu blog, porque assim eu te envio o codigo certinho do banner, deve ser alguma coisa que foi errado. =] Mas isso a gente resolve hehehe

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  2. Oi Dih,

    Adorei o conto e adoro essa sessão de Contas de Sábado! Um espaço bacana para esse povo talentoso, rs!

    Beijos
    http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/

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  3. Olá Diana!!

    Eu adoro contos! Então não poderia deixar de ler este!!
    Beijos
    Rê Souza
    http://entreresenhas.blogspot.com.br

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